A ZERO considera que o projeto do Novo Cais de Carga Geral do Porto de Sines, promovido pela Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), com um investimento superior a 90 milhões de euros, pode contribuir para a transição energética e para a criação de uma cadeia industrial associada à eólica offshore.
Num parecer apresentado no âmbito da consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental, a associação alerta, contudo, que a utilização futura do terminal ainda não está suficientemente definida. O projeto admite, além da eólica offshore, movimentação de granéis agroalimentares, operações RO-RO com automóveis e utilização civil e militar.
Para a ZERO, as características do novo cais, nomeadamente a capacidade de carga, as áreas de terrapleno e a ligação ferroviária, tornam-no adequado ao desenvolvimento da indústria eólica offshore. A associação defende que sejam promovidas atividades como montagem, manutenção, reparação e logística especializada, de forma a criar maior valor industrial em Portugal.
A ligação ferroviária prevista é considerada positiva, mas a ZERO entende que falta uma estratégia integrada de eletrificação do terminal. Defende que a infraestrutura seja preparada para operar com maquinaria elétrica, energias renováveis, armazenamento de energia e sistemas de gestão inteligente, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.
A associação pede também que o estudo ambiental aprofunde a análise das emissões de todo o ciclo de vida do projeto e dos diferentes cenários de utilização, incluindo os impactos do tráfego marítimo e rodoviário.
Quanto ao prolongamento do Molhe Leste, a ZERO defende uma avaliação conjunta com o novo cais e exige medidas de monitorização dos impactos sobre os habitats marinhos, a qualidade da água, o ruído subaquático e a dinâmica sedimentar na praia de São Torpes.
A ZERO afirma não se opor à criação de nova capacidade portuária em Sines, mas considera que a sua justificação ambiental deve depender da utilização que vier a ser dada à infraestrutura. A associação defende que o projeto seja integrado numa estratégia industrial verde, com prioridade à eólica offshore, à ferrovia e à eletrificação.





















