O Tribunal de Beja agendou para o próximo dia 15 de janeiro, às 14h30, a leitura do acórdão de um processo que envolve 17 arguidos acusados de exploração de trabalhadores imigrantes no Alentejo. A decisão foi comunicada pelo coletivo de juízes durante uma audiência realizada esta tarde, destinada a discutir a contestação de dois arguidos relativa à liquidação de património que o Ministério Público considerou incongruente com os rendimentos declarados. No total, o requerimento do Ministério Público identificava património suspeito de oito arguidos, num montante superior a 2,1 milhões de euros, mas apenas dois contestaram a medida. A advogada de um dos visados afirmou ter apresentado prova documental da licitude dos bens, obtendo a concordância da procuradora do Ministério Público.
Este caso judicial é um dos desdobramentos da “Operação Espelho”, lançada pela Polícia Judiciária em novembro de 2023 para desmantelar redes de exploração em herdades agrícolas alentejanas. O processo abrange crimes graves como tráfico de pessoas, auxílio à imigração ilegal, associação criminosa e branqueamento de capitais. Embora o julgamento tenha tido início em outubro de 2025 com 20 arguidos, o tribunal acabou por separar três deles para processos autónomos. Nas alegações finais, o Ministério Público solicitou a condenação de oito pessoas e a dissolução de cinco empresas envolvidas no esquema.
Paralelamente, corre termos no mesmo tribunal um segundo processo relacionado com a mesma operação, cujo julgamento teve início em dezembro de 2025. Este outro caso é ainda mais vasto, envolvendo 34 arguidos de diversas nacionalidades, incluindo portugueses e romenos, que respondem por crimes semelhantes. De acordo com a acusação, as atividades criminosas passavam pela gestão ilegal de mão de obra estrangeira e pela falsificação de documentos, reforçando o cenário de combate à criminalidade organizada no setor agrícola da região.
Rádio Castrense / Lusa















