ZERO defende mais investimento nos transportes públicos e apoios dirigidos às famílias com maiores dificuldades de mobilidade.
Apesar do aumento dos preços dos combustíveis, a circulação rodoviária continua a crescer em Portugal. Dados analisados pela associação ambientalista ZERO, divulgados a propósito do Dia Europeu Sem Carros, mostram que, no primeiro semestre de 2026, foram percorridos 13,2 mil milhões de veículos-quilómetro nas principais estradas do país, mais 3% do que no mesmo período de 2025, o equivalente a mais 388 milhões de quilómetros.
O aumento da circulação foi acompanhado por uma subida de 1,7% no consumo de combustíveis rodoviários, que atingiu perto de seis milhões de toneladas no acumulado dos 12 meses até julho. O consumo de gasolina aumentou 4,7% e o de gasóleo 0,7%.
Segundo a ZERO, os veículos elétricos representam ainda apenas cerca de 3% da circulação, mantendo 97% do tráfego dependente de combustíveis fósseis. A associação estima que as emissões rodoviárias rondem os 17,4 milhões de toneladas de CO₂, acima do nível necessário para cumprir as metas de descarbonização definidas para 2030.
A organização aponta a dispersão residencial, o preço da habitação nos centros urbanos, o envelhecimento do parque automóvel e o crescimento do turismo como fatores que contribuem para deslocações mais longas. Critica também a falta de dados atualizados sobre a mobilidade da população, que dificulta a identificação de situações de “pobreza de mobilidade”, quando não existem alternativas viáveis ao automóvel.
Apoios direcionados em vez de cortes nos impostos
A ZERO considera que a resposta ao aumento dos custos não deve passar por reduções generalizadas do ISP ou IVA sobre os combustíveis. Segundo a associação, cada cêntimo de redução fiscal representa cerca de 73 milhões de euros por ano em perda de receita para o Estado e beneficia sobretudo quem percorre mais quilómetros ou possui mais veículos.
Em alternativa, propõe apoios diretos às famílias vulneráveis, podendo chegar a 150 euros para cerca de um milhão de agregados, definidos com base em critérios como rendimento, distância ao trabalho e disponibilidade de transportes públicos.
A associação defende ainda apoios a transportadores, táxis, bombeiros e instituições sociais calculados por veículo operacional, e não pelo combustível consumido.
Entre as restantes medidas estão o reforço das frequências e dos corredores reservados de transporte público, passes flexíveis para trabalhadores em teletrabalho e a integração do transporte a pedido no sistema de passes.
Para o turismo e a logística, a ZERO propõe acelerar a eletrificação de táxis, TVDE, viaturas de aluguer e autocarros turísticos, bem como canalizar receitas das taxas turísticas para os transportes coletivos locais.
A associação apela, assim, ao Governo e às autarquias para que reforcem as alternativas ao automóvel e reduzam a dependência dos combustíveis fósseis.





















