O médico de saúde pública Mário Jorge Santos, da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), alertou para o agravamento das condições sociais e demográficas no Baixo Alentejo, defendendo a necessidade de políticas integradas para travar a degradação da saúde da população.
Segundo o especialista, a região enfrenta problemas estruturais que vão muito além do setor da saúde. O envelhecimento da população e a dificuldade em atrair profissionais qualificados são, na sua opinião, fatores que contribuem para um cenário preocupante.
“Olho com alguma apreensão e espero que sejam tomadas medidas para evitar aquilo que perspetivo ser uma degradação da saúde da população”, afirmou Mário Jorge Santos.
O médico explica que muitos dos fenómenos observados, como determinados níveis de mortalidade e o aumento de patologias mais complexas, estão diretamente ligados ao envelhecimento da população. Segundo o mesmo “grande parte dos fenómenos que vemos, de certa mortalidade e de patologias mais complexas, decorrem do envelhecimento e não necessariamente de uma falência dos serviços de saúde”, referiu.
Ainda assim, reconhece que a falta de profissionais é um problema real. Para Mário Jorge Santos, o Baixo Alentejo deixou de ser atrativo para quem pretende iniciar carreira, quer na área da saúde, quer noutras áreas profissionais.
“A região não é neste momento atrativa para captar profissionais de saúde. E a saúde é apenas um pequeno pormenor”, alertou.
De acordo com o médico da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, a escassez estende-se a diversos setores. “Faltam profissionais especializados em muitas áreas que não se têm fixado na nossa região, e isso, por arrasto, também traz mais dificuldade em fixar profissionais de saúde”, acrescentou.
Perante este cenário, o especialista defende políticas públicas que ultrapassem o âmbito estritamente sanitário, apontando a necessidade de medidas demográficas e de desenvolvimento regional que tornem o interior mais atrativo para viver e trabalhar.


















