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Segunda-feira, Março 9, 2026

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Mulheres são maioria entre os qualificados em Portugal, mas apenas 15,7% chegam à liderança – diz a Randstad

Apesar de representarem a maioria do talento qualificado em Portugal, as mulheres continuam longe dos cargos de topo nas empresas. De acordo com um estudo da Randstad Research divulgado no âmbito do Dia Internacional da Mulher, apenas 15,7% dos cargos de CEO e executivos nas maiores empresas do país são ocupados por mulheres.

O relatório revela que 59,1% dos trabalhadores com ensino superior completo em Portugal são mulheres, colocando o país como o terceiro da Europa com maior percentagem de mulheres no emprego qualificado, apenas atrás da Estónia e da Letónia. No entanto, essa qualificação não se reflete na liderança empresarial.

Os dados mostram também que o mercado de trabalho continua marcado por fortes fronteiras de género. As mulheres concentram-se sobretudo nos setores da saúde e apoio social (16,5%) e da educação (12,9%), enquanto os homens predominam em áreas como a indústria (21,2%) e a construção (12,6%).

A desigualdade é igualmente visível nos salários. O diferencial de rendimento médio mensal líquido entre homens e mulheres é de 17,3%, o que corresponde a uma diferença de cerca de 205 euros. Em média, os homens recebem 1.388 euros líquidos por mês, enquanto as mulheres recebem 1.183 euros.

Em alguns setores, o fosso é ainda mais acentuado. Na área da saúde e apoio social, o gender pay gap atingiu 29,6%, o valor mais elevado desde 2011. Já no setor das atividades artísticas, desportivas e recreativas, a diferença salarial chega a 48,5% a favor dos homens, sendo atualmente a maior disparidade registada no país.

Por outro lado, existem áreas com tendência inversa. Na construção, onde as mulheres são minoria, o diferencial salarial é negativo (-14,7%), indicando que as poucas mulheres presentes ocupam, em muitos casos, cargos técnicos ou de gestão mais bem remunerados do que a média masculina.

O estudo aponta ainda para desigualdades na organização do trabalho. As mulheres representam 62,9% dos trabalhadores em regime de tempo parcial. Entre aquelas que trabalham em part-time, 8,5% têm crianças no agregado familiar, mais do dobro da percentagem registada entre os homens (3,2%).

Segundo Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal, os dados demonstram que, apesar de progressos na igualdade de género, ainda existem desafios significativos.

“Apesar de termos uma grande percentagem de talento altamente qualificado, a falha na progressão para cargos de topo, aliada à disparidade salarial e ao impacto das responsabilidades familiares, mostra que a paridade real no mercado de trabalho ainda não foi alcançada”, afirma.

O relatório conclui que a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho continua a exigir um esforço contínuo das empresas e da sociedade, de forma a garantir que o talento feminino possa progredir em igualdade de condições.

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