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Quinta-feira, Janeiro 29, 2026

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Morreu o atleta bejense Fernando Mamede

Luto no Desporto: Morreu Fernando Mamede, o “Génio de Beja” que conquistou o Mundo.

O desporto nacional está de luto com a partida de uma das suas maiores lendas. Fernando Mamede, recordista mundial dos 10.000 metros e símbolo de uma era dourada do atletismo português, faleceu esta terça-feira, aos 74 anos, devido a complicações cardíacas.

Natural de Beja, cidade onde nasceu a 1 de novembro de 1951, Mamede nunca esqueceu as suas raízes alentejanas, que transportou para as pistas de todo o mundo.

Foi no Sporting e na seleção nacional que se tornou um ídolo de massas, deixando um percurso marcado por um talento natural fora do comum, embora pontuado por uma vulnerabilidade emocional que o tornou uma das figuras mais humanas e fascinantes do desporto luso.

O Ápice em Estocolmo e a Herança de Beja. O ponto alto da sua carreira ocorreu em 1984, na Suécia, quando Mamede fixou o recorde mundial dos 10.000 metros com a marca de 27:13.81. Este registo, que superou o do seu rival e amigo Carlos Lopes, manteve-se no topo do mundo durante cinco anos e continua a ser, ainda hoje, a segunda melhor marca nacional de sempre.

Ao longo da sua extensa carreira, iniciada em 1968, o “leão de Beja” acumulou um palmarés impressionante: 27 recordes nacionais, três europeus e 20 títulos nacionais.

O Contraste entre o Talento e a PressãoApesar do domínio avassalador em grandes meetings e no corta-mato — onde conquistou o bronze mundial em Madrid (1981) —, a sua relação com os Jogos Olímpicos foi complexa. Fosse em Munique, Montreal ou nos marcantes Jogos de Los Angeles em 1984, Mamede debateu-se frequentemente com bloqueios psicológicos em momentos de decisão. Em Los Angeles, partindo como o grande favorito e recordista mundial, acabou por desistir a meio da final, sucumbindo à pressão que tanto o atormentava nos grandes palcos.Um Legado Eterno.

A partida de Fernando Mamede encerra um capítulo importante do atletismo português. Para a história, fica a imagem de um atleta rapidíssimo e elegante, que partiu do Alentejo para mostrar ao mundo que Portugal podia competir com os melhores. Beja e o país despedem-se de um homem que, entre vitórias estrondosas e fragilidades assumidas, se tornou um dos rostos mais queridos e inesquecíveis do nosso desporto.

Radio Castrense / JN

Foto; Diário do Alentejo

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