A Procuradora do Ministério Público solicitou hoje, perante o Tribunal de Beja, a condenação de oito dos arguidos envolvidos no processo da “Operação Espelho”, que investiga crimes de tráfico de pessoas, auxílio à imigração ilegal e associação criminosa relacionados com a alegada exploração de dezenas de trabalhadores imigrantes em herdades do Alentejo.
Na sessão desta manhã, que marcou o início das alegações finais, a procuradora considerou provada a prática criminosa por parte de seis cidadãos romenos, um moldavo e um português, pedindo a sua condenação, enquanto solicitou a absolvição de um espanhol e um romeno, bem como das respetivas empresas, por falta de prova suficiente.
A tese do Ministério Público sustenta que os arguidos agiram com “dolo direto”, de forma continuada, organizada e concertada, chegando a criar sociedades para simular a legalidade da sua atividade, que lhes gerou grandes proventos económicos. A procuradora reforçou que os depoimentos das vítimas foram “espontâneos e coerentes”, contrastando com as declarações evasivas dos arguidos, e sublinhou que os trabalhadores eram trazidos para Portugal, ficando ilegais, sob ameaça e com os documentos retidos, sendo forçados a “passar fome e a mendigar”, questionando a própria definição de tráfico de pessoas perante tais factos.
O processo, que envolve perto de uma dezena de advogados e teve o seu início em outubro, continuará com as restantes alegações finais durante a tarde, num caso que visa desmantelar uma rede que, alegadamente desde 2019, aliciava e explorava trabalhadores de diversas nacionalidades em explorações agrícolas do Alentejo, Lisboa e até em Espanha, com o objetivo de lucro máximo, independentemente das condições desumanas impostas.
Rádio Castrense / Lusa














