A gripe continua a ter um impacto significativo na população idosa, tanto ao nível da saúde como dos custos hospitalares. Entre as épocas gripais de 2022/23 e 2024/25, os internamentos de pessoas com 60 ou mais anos, analisados em 11 hospitais portugueses no âmbito do projeto Flunomics, desenvolvido pela Sanofi, representaram mais de 53 mil dias de hospitalização e 18,8 milhões de euros em custos hospitalares diretos.
A situação é agravada pela descida da cobertura vacinal contra a gripe entre os maiores de 65 anos, que passou de 84% em 2021/22 para 73% em 2025/26, uma redução de 11 pontos percentuais e um valor inferior à meta de 75% definida pela Organização Mundial da Saúde.
Os dados revelam que as pessoas com 85 ou mais anos representaram cerca de um terço dos internamentos analisados e aproximadamente metade das mortes hospitalares. Já os doentes com comorbilidades concentraram 65,5% dos internamentos, quase 80% dos custos e uma permanência média de 12,4 dias.
Na época 2024/25, foram registadas 125 admissões em unidades de cuidados intensivos por gripe, com uma mortalidade de 21,3% nestas unidades, além de 1.609 mortes em excesso atribuíveis à doença.
“Os dados mostram que a gripe representa um impacto particularmente relevante nas pessoas mais velhas e com doença crónica. Recuperar a cobertura vacinal e reforçar a recomendação ativa dos profissionais de saúde são passos essenciais para aumentar a proteção dos grupos mais vulneráveis e reduzir a pressão sobre os serviços de saúde”, afirma Filipe Froes, pneumologista da Unidade Local de Saúde de Santa Maria e professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
Apesar da vacinação gratuita para os grupos elegíveis e do acesso através dos cuidados de saúde primários e das farmácias, persistem barreiras à adesão, como a baixa perceção do risco, a desinformação, o receio de efeitos adversos e o conhecimento limitado sobre as opções de vacinação adequadas à idade.
A análise do Flunomics aponta três prioridades: recuperar a adesão anual à vacinação, adequar a proteção à idade e ao risco clínico e reforçar a vigilância dos casos graves, com recolha sistemática de dados sobre internamentos, admissões em cuidados intensivos e mortalidade por faixa etária e estado vacinal.





















