O Governo nomeou uma comissão administrativa de três elementos para a freguesia de Ferreira do Alentejo, na sequência da renúncia dos eleitos e candidatos da CDU e tendo em vista a realização de eleições intercalares. O despacho foi publicado esta quarta-feira, 7 de outubro, cerca de cinco meses depois da renúncia coletiva, ocorrida a 5 de maio.
A comissão é composta por Sandra Manuela Guerreiro Albino e Maria da Assunção Pereira Góis, indicadas pelo PCP-PEV, e por Albano Rocha Fialho, do PS. O Despacho n.º 12146/2026 foi assinado a 29 de setembro pelo secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia, tendo a escolha dos membros em conta os resultados das últimas autárquicas e as listas de candidaturas apresentadas no tribunal.
O despacho confirma a necessidade de eleições intercalares para a Assembleia de Freguesia, mas não define a data da votação nem identifica expressamente o presidente da comissão.
A nomeação surge depois de o PCP ter questionado o Governo sobre a demora na marcação das eleições. Numa pergunta parlamentar apresentada pela deputada Paula Santos a 1 de outubro, o partido pediu esclarecimentos sobre os motivos para a ausência, até então, de uma data para o ato eleitoral, bem como sobre o ponto de situação do processo e a previsão para a publicação do ato que irá marcar a votação.
Em junho, a Rádio Pax tinha avançado com a possibilidade de eleições em setembro, citando uma fonte do Ministério da Administração Interna. Já a 4 de outubro, o Diário do Alentejo referia que a data continuava por definir, aguardando-se a nomeação da comissão administrativa.
A crise na freguesia teve origem em divergências sobre a constituição do executivo. Sandra Albino, eleita presidente da Junta pela CDU nas autárquicas de 2025, renunciou ao cargo juntamente com os restantes eleitos e candidatos da coligação à Assembleia de Freguesia.
Na altura, Sandra Albino acusou, numa carta aberta à população, os eleitos do PS e o representante do Chega de bloquearem as propostas da CDU. O PS apresentou uma versão diferente, responsabilizando a presidente eleita pelo impasse e acusando-a de impedir a aprovação de um executivo viável.
Nas autárquicas de 12 de outubro de 2025, a CDU conseguiu 991 votos e quatro mandatos, enquanto o PS obteve 961 votos e também quatro eleitos. O Chega alcançou 236 votos e elegeu um representante.
Para as intercalares, Sandra Albino já anunciou a recandidatura pela CDU. O PS avançou com o engenheiro informático João Pedro Alexandre, que substitui Albano Fialho, cabeça de lista socialista nas autárquicas de 2025.





















