A recente decisão da Câmara Municipal de Beja de encerrar o concurso para a contratação de duas técnicas de Serviço Social e uma psicóloga está a gerar forte polémica política, com a Coordenadora Concelhia de Beja do Bloco de Esquerda a criticar duramente a medida.
Na reunião de executivo realizada a 14 de janeiro, a proposta de cessar o procedimento concursal — que tinha sido aprovado por unanimidade apenas seis meses antes — contou com os votos favoráveis da coligação AD, do vereador do Chega e dos dois eleitos da CDU, merecendo o voto contra dos vereadores do PS. Segundo o atual presidente da autarquia, Palma Ferro, esta alteração de rumo deve-se a uma nova visão política que privilegia a delegação de tarefas da área social, como a atribuição do Rendimento Social de Inserção (RSI), a Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), mantendo o município a responsabilidade técnica, mas entregando a execução a entidades externas.
Esta opção é classificada pelo Bloco de Esquerda como um retrocesso de matriz neoliberal, acusando o executivo de esvaziar as funções sociais do Estado para favorecer o setor privado e alimentar uma lógica de caridade em detrimento da solidariedade social. O partido alerta ainda para o impacto direto na vida das três profissionais que, estando contratadas a prazo desde 2023 no âmbito da transferência de competências, perdem agora a oportunidade de ingressar nos quadros permanentes do município, permanecendo num ciclo de precariedade laboral. Para os críticos, a perda de “massa crítica” e de quadros qualificados na autarquia poderá comprometer seriamente a capacidade de atendimento direto à população e o próprio controlo da execução dos protocolos com as IPSS, uma situação considerada preocupante numa região onde quase 18% dos habitantes vivem abaixo do limiar da pobreza.
No centro da controvérsia está também o posicionamento da CDU, que viabilizou a proposta da AD e do Chega. O Bloco de Esquerda estranha o voto favorável dos vereadores comunistas, questionando se o pelouro atribuído ao vereador Vítor Picado estará a condicionar o sentido de voto da coligação. Segundo a força política denunciante, este alinhamento à direita já se tinha verificado anteriormente na aprovação do Plano de Atividades e do Orçamento para 2026, sugerindo que este posicionamento conjunto entre AD, Chega e CDU se está a tornar uma prática recorrente na gestão do município de Beja.














