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Sexta-feira, Janeiro 30, 2026

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AD abstém-se no Orçamento Municipal de Odemira por falta de visão estratégica

Os deputados municipais da Aliança Democrática (AD) optaram pela abstenção na votação do Orçamento e das Grandes Opções do Plano 2026–2030 do Município de Odemira, considerando que o documento, apesar de demonstrar estabilidade financeira, não traduz um verdadeiro projeto político nem uma visão estratégica para o futuro do concelho.

De acordo com a posição assumida pela AD, o orçamento para 2026, no valor de 73,6 milhões de euros, mantém uma narrativa de prosperidade e coesão territorial que, na prática, não se reflete na realidade do território, em particular nas freguesias do interior, onde continuam a verificar-se carências ao nível das infraestruturas rodoviárias, elétricas, de abastecimento de água e de saneamento.

Os eleitos da AD apontam ainda a falta de capacidade de execução do executivo municipal, destacando como exemplo projetos considerados estruturantes, como os Centros Escolares de São Luís e do Almograve. Estas intervenções foram anunciadas há mais de uma década, tendo apenas o Centro Escolar de São Luís sido concluído em 2024, enquanto o do Almograve permanece por iniciar.

Relativamente ao recurso a empréstimos bancários, a AD considera que esta opção não corresponde a uma estratégia de investimento estruturada, mas antes ao financiamento tardio de obras comparticipadas por fundos comunitários previstas nos Planos Plurianuais de Investimentos desde 2015 e 2016, perdendo-se oportunidades anteriores com condições mais favoráveis para o município.

Do ponto de vista financeiro e estratégico, os deputados municipais alertam para a elevada dependência de transferências do Estado, que representam cerca de 39% das receitas correntes, sem que exista um plano claro para atrair investimento produtivo, diversificar a economia local ou reforçar a autonomia financeira do município.

A AD critica também o peso da despesa corrente, que absorve grande parte do orçamento municipal, nomeadamente com encargos de pessoal e bens e serviços, considerando que se trata essencialmente de um orçamento orientado para manter a estrutura municipal, em detrimento de medidas capazes de impulsionar o desenvolvimento económico e social do concelho.

Em conclusão, a Aliança Democrática reconhece a estabilidade financeira do Município de Odemira, mas entende que o orçamento apresentado não tem ambição transformadora nem capacidade para projetar o concelho para um patamar superior de competitividade e desenvolvimento, razão pela qual optou pela abstenção.

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