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Professor da Escola Secundária de Odemira apresenta novo romance na terra natal

Miguel Correia apresentou, em Lordelo, no concelho de Paredes, o romance “O Menino Marceneiro”. A sessão reuniu mais de uma centena de pessoas e foi marcada pelas memórias familiares do autor, pelas histórias da marcenaria e pela reflexão sobre a pobreza e o acesso à educação.

Miguel Correia, professor de Filosofia e Psicologia na Escola Secundária de Odemira, apresentou no sábado, 10 de outubro, o seu novo romance, “O Menino Marceneiro”, na freguesia de Lordelo, no concelho de Paredes, onde nasceu.

Mais de cem pessoas estiveram presentes na sessão, realizada na sede da Junta de Freguesia, num espaço preparado para recriar uma antiga oficina de marcenaria, com ferramentas e bancos de trabalho.

A obra acompanha a vida de Francisco, filho de uma aldeia de marceneiros, desde a infância durante o Estado Novo até à velhice. Aos 11 anos, a pobreza obriga-o a abandonar a escola para trabalhar numa oficina. A narrativa atravessa momentos marcantes da História de Portugal, como a Guerra Colonial e o 25 de Abril, e retrata as transformações na indústria do mobiliário.

O romance nasceu das histórias que o pai do autor contava à mesa e cruza memórias familiares com a realidade social de uma época em que muitas crianças não tinham oportunidade de prosseguir os estudos.

Durante a apresentação, Miguel Correia explicou que a obra não é uma biografia, mas uma ficção construída a partir de memórias verdadeiras. O autor recordou também o seu percurso profissional, já que trabalhou como marceneiro antes de se dedicar ao ensino.

A sessão contou com a apresentação de Zita Carvalho, professora de Educação Especial e amiga de infância do escritor, que destacou a forma como o livro aborda a educação, a pobreza e as dificuldades enfrentadas pelas crianças com maiores necessidades de aprendizagem. Defendeu ainda que a escola deve adaptar-se a cada criança, em vez de exigir que todas se ajustem ao mesmo modelo.

O romance presta igualmente homenagem às mulheres que trabalharam na indústria do mobiliário, nomeadamente às que transportavam cadeiras e móveis e às que desempenhavam tarefas essenciais nas oficinas, muitas vezes sem reconhecimento.

Miguel Correia destacou ainda a importância da educação como forma de abrir novas oportunidades às gerações seguintes, recordando a influência dos pais no seu percurso de vida.

Natural de Lordelo, o autor vive e trabalha atualmente no Alentejo, onde leciona na Escola Secundária de Odemira. Antes de “O Menino Marceneiro”, publicou os romances “A Rapariga e o Pastor do Crato”, em 2025, e “Depois da Fuga — Os Silêncios de Campo Maior”, ambos com cenários alentejanos.

É também autor do livro “Autismo e Atraso de Desenvolvimento”.

A apresentação terminou com um momento emotivo entre Miguel Correia e o pai, a quem dedicou o reconhecimento pelo trabalho e pelos sacrifícios que contribuíram para o seu percurso.

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