A Liga para a Protecção da Natureza (LPN) considera que a passagem da 7.ª etapa da Volta a Portugal pela Mata da Albergaria, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, deve servir para reforçar o debate sobre a utilização de áreas naturais de elevado valor ecológico e sobre a necessidade de um ICNF mais forte e presente no território.
A prova, realizada a 13 de agosto, atravessou uma das áreas de floresta autóctone mais valiosas e bem conservadas do país, com cerca de 1500 hectares de carvalhal e uma elevada diversidade de espécies.
A LPN critica o facto de o percurso ter sido divulgado antes de o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), proprietário dos terrenos, ter emitido parecer favorável. Para a organização, esta situação criou um “facto consumado” e poderá constituir um precedente para futuras autorizações em áreas protegidas.
Embora defenda que a Mata da Albergaria deve ser destinada prioritariamente à conservação da biodiversidade, a LPN reconhece que a prova decorreu sob rigorosas condicionantes ambientais e com forte acompanhamento técnico do ICNF no terreno.
“É este o ICNF que queremos: presente, atuante, proativo, rigoroso”, sublinha a organização, destacando a mobilização dos técnicos durante o evento.
A LPN aproveita o episódio para voltar a defender o reforço dos meios humanos, técnicos e logísticos do ICNF, considerando essencial uma maior presença no território para prevenir, fiscalizar e gerir eficazmente o património natural.
Apesar de considerar positiva a fiscalização durante a prova, a organização alerta que o cumprimento das regras no terreno não elimina as dúvidas sobre a própria autorização do evento. Para a LPN, a proteção da Mata da Albergaria exige um ICNF capaz de atuar no terreno, mas também de tomar decisões atempadas e firmes em defesa da conservação da natureza.
























