O presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes, Francisco Silva Martins, anunciou a sua saída de todos os órgãos do Partido Socialista (PS), após vários anos de militância ativa, sobretudo na Concelhia de Odemira e na Federação do Baixo Alentejo.
Numa declaração pública, o autarca justificou a decisão com a ausência de debate interno no partido, particularmente após a saída de Pedro Nuno Santos da liderança socialista. Segundo Francisco Silva Martins, era necessário um momento de reflexão sobre “poderes instalados e práticas” que, na sua perspetiva, têm contribuído para o crescimento de forças políticas de extrema-direita.
O presidente da Junta criticou ainda o que descreve como um clima de “paz podre” dentro do PS, sustentado, afirma, não por mérito próprio, mas pelas fragilidades do atual Governo da Aliança Democrática (AD). “Vivem-se períodos de travessia entre os pingos da chuva dentro do partido”, referiu.
Na mesma comunicação, destacou o percurso que o levou à presidência da Junta de Freguesia, através do movimento independente “Por Ti, Por Nós, Por Vila Nova de Milfontes”, sublinhando que os projetos políticos locais devem estar acima das lógicas partidárias. “As pessoas, a sua vontade e os projetos para o território são mais do que os partidos”, afirmou.
Francisco Silva Martins recordou também a sua eleição, no passado dia 12 de julho, para a Comissão Política Federativa do PS, apesar de ter recusado integrar órgãos concelhios. A decisão de aceitar integrar essa lista foi motivada pela expectativa de um “novo ciclo político” no Baixo Alentejo, que, segundo o autarca, não se concretizou.
Entre as críticas apontadas, destacou a falta de representatividade da Concelhia de Odemira nos órgãos federativos e acusou a estrutura regional de marginalizar o concelho. “Infelizmente, o Baixo Alentejo termina em Ourique e não em Odemira”, afirmou.
Apontando baterias a Nelson Brito, que foi eleito para a Mesa da Comissão Política, o mesmo disse que não concebe “que se premeie quem perde eleições autárquicas no seu concelho como Candidato à Câmara Municipal. Muito menos posso aceitar a proposta de um nome que criou um fosso entre Odemira e a restante Federação, enquanto exercia o lugar de Presidente deste órgão e, como tal, a proposta desta pessoa por parte do atual Presidente da Federação para um lugar cimeiro como Presidente da Mesa da Comissão Política Federativa levou à minha renuncia imediata de membro deste órgão”.
Face a este conjunto de fatores, Francisco Silva Martins apresentou a sua renúncia imediata à Comissão Política Federativa e anunciou o afastamento total dos órgãos do PS. “Isto não é um novo ciclo. É mais do mesmo”, declarou.
O presidente da Junta de Vila Nova de Milfontes afirma que passa agora a assumir uma posição independente, guiado por “valores morais e éticos” pessoais, manifestando, no entanto, a esperança de que o partido venha a reformar-se no futuro. “Espero que futuramente as coisas mudem, pois este não é o PS”, concluiu.
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