Um mês depois de ter passado por Beja, Mértola e Alvito, o Festival Futurama faz um balanço muito positivo da sua 5.ª edição, realizada entre 15 e 30 de maio, e que voltou a afirmar o projeto como uma referência nacional na criação artística contemporânea em contexto rural.
Ao longo de três momentos distintos, o festival consolidou uma abordagem singular de programação cultural, profundamente enraizada no território e construída em estreita ligação com as comunidades locais. Mais do que a apresentação de espetáculos e exposições, o Futurama aposta em processos de criação, residências artísticas e projetos de cocriação com impacto prolongado nos territórios onde atua.
Arte contemporânea em diálogo com as comunidades
A edição de 2026 reuniu artistas de diferentes gerações e disciplinas, entre os quais David Infante, Horácio Frutuoso, Carincur, Sara Inês Gigante, Ana Baleia, Mariana Tengner Barros, Filippo Fiumani, João Spencer (t.204) e Francisco Bettencourt.
Estes criadores desenvolveram projetos em colaboração com estudantes, instituições sociais, universidades seniores, escolas de música, associações desportivas e diversas comunidades locais, reforçando a dimensão participativa do festival.
Cantexto reforça criação ligada ao Cante Alentejano
O festival deu continuidade ao projeto Cantexto, que cruza literatura contemporânea com o património imaterial do Cante Alentejano, através da criação de novo repertório musical.
Nesta edição, participaram os escritores Bruno Vieira Amaral, Cristina Taquelim, Hugo van der Ding, Nástio Mosquito, Patrícia Reis e Yara Nakanda Monteiro, que escreveram poemas interpretados por grupos corais de diferentes concelhos do Baixo Alentejo.
Os textos foram posteriormente musicados por Ana Santos, Celina da Piedade, Clara Palma, Paulo Ribeiro e Pedro Mestre, reforçando a ligação entre criação literária e tradição musical.
Residências e projetos educativos com forte impacto local
Ao longo das três geografias, o público assistiu aos resultados de residências artísticas e de projetos como “Artistas nas Escolas”, envolvendo entidades como o Instituto Politécnico de Beja, a Escola Secundária Diogo de Gouveia, a Escola Profissional de Alvito, a Cercibeja, a Universidade Sénior da ALSUD e a Ginástica Acrobática de Mértola.
Estes processos reforçaram a importância da arte enquanto ferramenta de aprendizagem, participação e construção de identidade coletiva, com impacto para além dos momentos de apresentação pública.
Território como palco da criação artística
A descentralização da programação voltou a ser uma das marcas do festival, com a ocupação de espaços culturais, patrimoniais e paisagísticos como o Clube UNESCO de Beja, as margens do rio Guadiana em Mértola e as Grutas do Rossio em Alvito.
Esta ligação ao território proporcionou experiências artísticas diferenciadas e valorizou o património material e imaterial do Baixo Alentejo, reforçando a relação entre cultura e paisagem.
Rede de parcerias e futuro do projeto
O balanço desta edição evidencia ainda o fortalecimento de uma rede de parcerias com municípios, escolas, instituições culturais e organizações sociais, permitindo a continuidade de projetos e a criação de capacidade instalada no território.
O Futurama reforça assim o seu posicionamento como plataforma de encontro entre artistas, comunidades e instituições, promovendo processos de criação que contribuem para a coesão territorial e o desenvolvimento cultural.
A organização sublinha que o futuro do festival passa por aprofundar este modelo de intervenção, alargando a rede de parceiros e consolidando o Baixo Alentejo como território de referência para a criação artística contemporânea em contexto rural.



















