A quarta conferência da Academia do Vagar, promovida pela Évora_27 – Capital Europeia da Cultura, realizou-se na quinta-feira, 22 de janeiro, no Palácio de D. Manuel, em Évora. A sessão contou com a participação de Pedro Hussak Van Velthen Ramos, professor associado de Estética na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Sob o tema “Ando devagar, porque já tive pressa”: o Vagar como proposta política no Brasil, a conferência propôs uma reflexão crítica sobre a ideologia do progresso, estabelecendo um contraponto entre o discurso desenvolvimentista da ditadura militar brasileira — responsável pela devastação da Amazónia nos anos 1970 — e a emergência contemporânea de artistas e intelectuais indígenas em contextos urbanos e ocidentalizados.
Ao longo da sua intervenção, Pedro Hussak Van Velthen Ramos destacou a necessidade de repensar os modos de habitar o planeta, defendendo formas de existência que não assentem na exploração predatória da natureza. Segundo o conferencista, estas alternativas estão profundamente ligadas a uma dimensão estética, que designou como a “sensibilidade da floresta”.
A Academia do Vagar integra a programação da Évora_27 e decorre ao longo de 27 meses, até dezembro de 2027. Com curadoria de Jacinto Lageira, da Universidade de Paris I – Sorbonne, o projeto pretende promover o pensamento crítico e a criação coletiva, colocando o conceito de “Vagar” no centro de uma nova proposta cultural para a Europa e para o mundo.
Além de conferências internacionais, a Academia do Vagar inclui encontros, conversas e workshops de entrada gratuita, envolvendo filósofos, sociólogos, antropólogos, artistas e outros pensadores, com o objetivo de estimular novas perspetivas sobre o tempo, a cultura, a existência humana e a relação com o território.
A programação da Academia do Vagar até março de 2026 já se encontra disponível e inclui iniciativas na Fundação Eugénio de Almeida e no Teatro Garcia de Resende.
A Évora_27 conquistou o título de Capital Europeia da Cultura a 7 de dezembro de 2022. Sob o lema “Vagar, uma outra arte de existência”, o projeto propõe um novo paradigma cultural baseado nos valores da paz, democracia, diversidade e sustentabilidade ecológica, com o compromisso de afirmar a identidade cultural alentejana até 2027 e além.














