As eleições presidenciais deste domingo ditaram um novo cenário político em Portugal, confirmando que António José Seguro e André Ventura se irão defrontar numa segunda volta decisiva no próximo dia 8 de fevereiro. De acordo com os dados apurados, o distrito de Beja revelou-se um dos palcos de maior dinamismo e simbolismo nestas contas, com António José Seguro a alcançar 33,7% dos votos num território que tinha sido conquistado pelo Chega nas legislativas de 2025. No entanto, André Ventura segurou uma posição forte na região ao obter 28,82%, demonstrando que a implantação do seu partido no Baixo Alentejo permanece sólida e competitiva.
Uma análise detalhada da agência Lusa aos resultados indica que António José Seguro, o candidato que conta com o apoio do Partido Socialista, conseguiu os seus desempenhos mais expressivos precisamente em distritos onde a Aliança Democrática (AD) tinha vencido nas legislativas do ano passado. O melhor resultado nacional de Seguro registou-se em Castelo Branco, com 40,2%, seguido por Guarda com 35,91%, Coimbra com 35,47% e o já referido distrito de Beja. Em Évora, o único círculo eleitoral onde o PS tinha saído vitorioso em maio de 2025, o candidato presidencial conseguiu subir quase dez pontos percentuais face à votação socialista anterior, fixando-se nos 33,46%. Seguro destaca-se ainda por ser o candidato com as variações regionais mais acentuadas, apresentando uma diferença de 17,5 pontos percentuais entre o seu máximo em Castelo Branco e o seu mínimo na Região Autónoma da Madeira.
Por sua vez, André Ventura encontrou os seus maiores redutos de apoio na Madeira, com 33,40%, e em Faro, com 33,02%, seguindo-se Portalegre com 30,98% e Santarém com 28,04%. Curiosamente, apesar de o Chega ter vencido em Setúbal nas legislativas de 2025, este distrito foi apenas o décimo melhor círculo para Ventura nestas presidenciais, assinalando uma quebra relativa de influência naquele território. Ventura detém a segunda maior disparidade regional entre os candidatos mais votados, com um fosso de 14 pontos percentuais entre a Madeira e Coimbra, onde registou a sua menor percentagem de voto.
Quanto aos restantes candidatos que ficaram pelo caminho, Cotrim de Figueiredo concentrou o seu eleitorado sobretudo nos grandes centros urbanos e no litoral norte e centro, como Lisboa, Porto, Leiria, Braga e Aveiro, todos territórios onde a AD tinha vencido anteriormente. Já o almirante Henrique Gouveia e Melo apresentou os resultados mais homogéneos de todo o escrutínio nacional, com percentagens muito próximas em todos os distritos, variando apenas entre os 8,11% na Madeira e os 13,66% em Setúbal. Finalmente, Marques Mendes obteve as suas votações mais expressivas, acima dos 15%, em Vila Real, Bragança, Braga, Viana do Castelo e Viseu, confirmando a sua força nos bastiões tradicionais do centro e norte do país. O foco vira-se agora para a campanha da segunda volta, onde os dois candidatos mais votados tentarão captar os votos dispersos pelos restantes protagonistas.
Rádio Castrense / Lusa
Imagem – Rádio Castrense














