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Quinta-feira, Janeiro 22, 2026

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Portugal regista excesso de mortalidade de 22% devido à gripe e ao frio intenso

Portugal regista desde o início de dezembro um excesso de mortalidade de cerca de 22%, associado ao frio intenso e à epidemia de gripe, com um aumento proporcional das mortes por doenças respiratórias, segundo uma análise preliminar da Direção-Geral da Saúde (DGS). Num balanço divulgado à agência Lusa, a DGS e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa) destacam que este padrão é compatível com a fase epidémica da gripe sazonal, afetando sobretudo os grupos etários mais avançados, a partir dos 65 anos, e em particular a população com 85 ou mais anos, mais vulnerável aos efeitos combinados das infeções respiratórias e das temperaturas extremas. O relatório aponta ainda um ligeiro aumento das mortes por doenças cardiovasculares e metabólicas, fenômeno frequentemente associado à exposição prolongada ao frio, especialmente entre idosos com doenças crónicas.

Segundo a DGS e o Insa, estes padrões são consistentes com o que se observa historicamente durante períodos de circulação intensa de vírus respiratórios e condições climáticas adversas, não havendo até ao momento indícios de fatores extraordinários ou inesperados. Os dados indicam um aumento proporcional da mortalidade por doenças do aparelho respiratório, que passou de 9,7% no início da época gripal, entre 29 de setembro e 5 de outubro de 2025, para 17% na semana de 22 a 28 de dezembro.

Geograficamente, o excesso de mortalidade foi registado em todo o território continental, embora as regiões Norte, Centro e Algarve tenham sido as primeiras a ser afetadas. Um padrão temporal e regional semelhante foi observado no número de consultas por síndrome gripal, sugerindo que a epidemia se disseminou de norte para sul durante este inverno. A DGS e o Insa assinalam ainda que o excesso proporcional é ligeiramente superior no Alentejo e no Algarve, refletindo fatores como maior hesitação vacinal e características demográficas e socioeconómicas destas regiões.

Cerca de uma a duas semanas antes do início deste período de excesso de mortalidade foi identificado um aumento da atividade gripal, que atingiu nível epidémico no final de novembro. A circulação de um subtipo de gripe H3N1, geralmente associada a maior mortalidade, também contribuiu para o impacto deste inverno. Em paralelo, Portugal tem registado um período prolongado de temperaturas baixas, conhecido por agravar doenças crónicas, sobretudo respiratórias e cardiovasculares.

Desde o início da atividade epidémica, a DGS tem reforçado a comunicação à população, incentivando a vacinação dos grupos de risco e a adoção de medidas preventivas, como etiqueta respiratória e higiene das mãos, para reduzir o risco de infeção.

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