O cenário económico para 2026 em Portugal apresenta uma dualidade: embora se preveja um recuo na taxa de inflação para 2,1% e um novo alívio no IRS, as famílias portuguesas enfrentarão uma subida generalizada nos preços de bens e serviços essenciais. Rendas, telecomunicações, transportes e portagens deverão acompanhar ou superar a inflação prevista, enquanto bens alimentares como a carne e o peixe podem registar aumentos de cerca de 7%. Em contraste, o preço do pão terá uma subida ligeira abaixo da inflação, e os medicamentos com custo até 30 euros, como antibióticos e analgésicos, manterão os seus preços inalterados.
No setor energético, a fatura da eletricidade no mercado regulado subirá, em média, 1% a partir de janeiro, o que representa um acréscimo mensal entre 0,18 e 0,28 euros para cerca de 800 mil clientes. No mercado liberalizado, operadoras como a EDP Comercial e a Galp anunciaram descidas de 1% e 0,5%, respetivamente. O gás natural mantém a subida de 1,5% aplicada em outubro até setembro de 2026, enquanto a água deverá sofrer agravamentos decididos pelos municípios, após uma recomendação de atualização de 1,8% no serviço de captação e tratamento.
O setor dos transportes e infraestruturas também terá atualizações significativas, com os bilhetes da CP a aumentarem, em média, 2,26%, embora os passes Navegante, Andante e o Passe Ferroviário Verde mantenham os seus valores atuais. Em Lisboa, as tarifas de bordo da Carris sobem para 2,30 euros nos autocarros e 3,30 euros nos elétricos. Já as portagens nas autoestradas serão atualizadas em 2,29%, apesar da introdução de novas isenções em troços da A25, A6, A2 e A41 a partir de abril. No setor imobiliário, as rendas de casa subirão 2,24% e o valor médio de construção para efeitos de IMI aumentará para 570 euros por metro quadrado, afetando imóveis novos ou reavaliados.
No que toca aos serviços e banca, os CTT aplicarão uma subida média de 6,20% nos serviços postais a partir de fevereiro. As telecomunicações seguirão a tendência de subida em linha com a inflação, com anúncios de aumentos por parte da NOS, Meo e Vodafone. Na banca, destaca-se o fim da isenção da comissão de amortização antecipada nos créditos à habitação a taxa variável, que regressa ao valor de 0,5%, e o ligeiro aumento da taxa de juro do crédito bonificado para pessoas com deficiência para 2,623% no primeiro semestre do ano.
Rádio Castrense / Lusa
















