Sérgio Delgado, proprietário do Lar de Garvão, e também vereador da Câmara Municipal de Castro Verde eleito pela CDU nas últimas Eleições Autárquicas de 12 de outubro, acaba de renunciar ao cargo.
Sérgio Delegado quebrou o silêncio através de um comunicado emitido esta terça-feira na sua Rede Social Facebook, onde apresenta a sua versão sobre os trágicos acontecimentos do passado sábado e o subsequente encerramento da instituição. O responsável começa por esclarecer que o incidente, que resultou na morte de um idoso e no ferimento de outros dois, foi um ato “completamente imprevisível” protagonizado por um utente de 92 anos, admitido excecionalmente na véspera a pedido urgente da família. Segundo o comunicado, “não havia qualquer informação clínica prévia que justificasse cautelas especiais”, detalhando ainda que “a agressão foi cometida com um apoio metálico removido da casa de banho e não com uma barra de ferro, como inicialmente circulou.
Relativamente à situação de ilegalidade confirmada pela Segurança Social, o empresário admite “a falta de licença de funcionamento”, mas atribui a irregularidade a um “excesso de zelo burocrático” e a “uma falha procedimental”, assegurando que “a recusa do documento nunca se baseou na falta de qualidade das instalações ou do serviço prestado”. O proprietário alega que a continuidade da atividade ao longo de mais de um ano, sem intervenção das autoridades, deveria ser entendida como um “reconhecimento oficioso” da necessidade da infraestrutura na região, lamentando que a Segurança Social tenha optado pelo silêncio perante as exposições enviadas pela instituição durante esse período.
O comunicado tece duras críticas à forma como o encerramento coercivo foi conduzido no domingo, véspera de Natal. O responsável classifica a intervenção como uma medida para “salvaguardar a imagem” da Segurança Social após a tragédia, descrevendo o processo de remoção dos utentes como “abrupto, insensível e desumano”. Segundo o relato, os idosos foram impedidos de se deitarem à hora habitual e estiveram sujeitos a horas de espera até serem transferidos, processo que terá terminado já na madrugada de segunda-feira. O empresário questiona o impacto desta decisão na vida dos utentes, das famílias e das funcionárias que agora enfrentam o desemprego.
Por fim, e confrontado com o que classifica de “aproveitamento político” da situação devido às suas funções públicas, o proprietário anunciou “a renúncia ao cargo de vereador na Câmara Municipal de Castro Verde”. Justifica a decisão com o seu “sistema de valores” e a “necessidade de separar a atividade profissional da política”, embora reitere que “o serviço prestado no lar sempre mereceu o reconhecimento público dos familiares, que agora estarão a solicitar o seu regresso”.
Para além de ter sido vereador da CDU na autarquia de Castro Verde até ao dia de hoje, 23 de dezembro, Sérgio delgado dirigia até agora Lar de Garvão, no concelho de Ourique, e dirige ainda o Lar do Rosário, localidade do concelho de Almodôvar.


















