A26 ganha novo impulso com lançamento de estudos para ligação entre Beja e Santa Margarida do Sado
A Infraestruturas de Portugal (IP) avança esta sexta-feira com o lançamento de concursos públicos para estudos de novos troços rodoviários, com destaque para a A26, cuja ligação entre Santa Margarida do Sado e Beja volta a ganhar prioridade.
Este troço é visto como estratégico para o reforço das acessibilidades no Baixo Alentejo, sendo há muito reivindicado pela região, que procura melhores ligações rodoviárias para potenciar o desenvolvimento económico e reduzir o isolamento.
Além da A26, os estudos agora lançados incluem também novos eixos rodoviários como a ligação da A13/IC3 entre Vila Nova da Barquinha e Almeirim, que contempla a construção da futura ponte da Chamusca, bem como o IC13, que ligará o Montijo a Alter do Chão, passando por Coruche, Mora e Ponte de Sor.
De acordo com o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, algumas destas ligações integram a rede de acessos ao novo aeroporto, permitindo melhorar a mobilidade sem sobrecarregar a margem oeste do rio Tejo.
Já o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, destacou recentemente no Parlamento que o Governo tem em curso vários projetos rodoviários prioritários, com empreitadas em diferentes fases — desde obras já no terreno até novos estudos a lançar durante este mês e o próximo.
No caso da A26, a concretização deste troço representa um passo importante para completar uma via considerada fundamental para o território, reforçando a ligação de Beja ao restante país e contribuindo para a coesão territorial.
A A26, também conhecida como Autoestrada do Baixo Alentejo, tem um percurso marcado por avanços, interrupções e sucessivas promessas ao longo das últimas décadas.
O projeto surgiu com o objetivo de melhorar as acessibilidades ao interior sul do país, ligando o litoral alentejano a Beja, numa estratégia de combate ao isolamento e promoção do desenvolvimento regional. A obra ganhou maior impulso no final dos anos 2000, tendo sido incluída no conjunto de investimentos em infraestruturas rodoviárias da época.

O primeiro troço a avançar foi entre Sines e Grândola-Sul, no nó da A2, posteriormente prolongado até ao concelho de Ferreira do Alentejo, nomeadamente junto a Figueira dos Cavaleiros. No entanto, a crise financeira e o período de assistência externa a Portugal, a partir de 2011, levaram à suspensão de vários projetos rodoviários, incluindo a continuação da A26 até Beja.
Desde então, a conclusão da autoestrada tem sido uma reivindicação constante de autarcas e agentes locais, que defendem a importância da ligação direta a Beja para reforçar a competitividade da região, nomeadamente ao nível agrícola, industrial e logístico.
Ao longo dos anos, diferentes governos têm anunciado a intenção de retomar ou estudar novos troços da A26, mas sem concretização efetiva da ligação final. Mais recentemente, o tema voltou à agenda com o anúncio de novos estudos para o troço em falta, entre Santa Margarida do Sado e Beja, reabrindo a expectativa de que a infraestrutura possa finalmente ser concluída.
Apesar dos avanços pontuais, a A26 continua incompleta, sendo frequentemente apontada como um dos exemplos de obras estruturantes por finalizar no Alentejo.
Começa hoje a 18ª edição da Feira do Porco Alentejano em Ourique
A Feira do Porco Alentejano regressa a Ourique este fim de semana e volta a afirmar o concelho como um dos principais palcos da ruralidade alentejana. Na sua 18.ª edição, o certame arranca esta sexta-feira, dia 20 de março, com um programa diversificado que cruza tradição, conhecimento e animação cultural, mantendo a entrada livre.
Neste primeiro dia inicia-se às 09h30 com um seminário dedicado ao tema “Porco Alentejano em Risco de Extinção e Ameaças: Elevada População de Javalis e PSA”, reunindo especialistas e agentes do setor para debater os desafios atuais da fileira. Durante a manhã e até às 16h00, o espaço multiusos acolhe uma oficina de produção de linguiças dirigida a crianças do 1.º ciclo, reforçando a vertente pedagógica do evento.
A programação da tarde arranca às 15h30 com uma demonstração de artesanato dedicada à latoaria, seguindo-se, às 16h00, um ateliê inspirado nas tradicionais ruas floridas do Redondo, município convidado desta edição. Pelas 17h00 realiza-se o simbólico momento do Presunto de Honra da feira, ao qual se segue, às 17h30, a apresentação do projeto “À Vara Larga – Trilhos da Capital do Porco Alentejano”. Às 18h00, a gastronomia volta a estar em destaque com um showcooking promovido pela Salsicharia Abelhinha – D. Tacho, conduzido por Manuel Goulão.
A música começa a marcar o ritmo do certame ao início da noite, com um concerto de João Nobre às 19h00 no pavilhão institucional. Já no palco principal, a animação prossegue às 21h00 com a atuação de Emanuel Martins e Tânia, culminando às 23h00 com o aguardado concerto da cantora Nena, um dos grandes destaques desta primeira jornada.
A festa prolonga-se pela madrugada dentro, com a sessão “I Love Reggaeton” a partir da 01h00, seguida da atuação do DJ Rui Miguel Gomes às 03h00, encerrando assim o primeiro dia de celebração.
Organizada pelo Município de Ourique em parceria com a Associação de Criadores de Porco Alentejano, a feira continua a afirmar-se como um espaço privilegiado de promoção da economia rural, reunindo produtores, visitantes e profissionais num ambiente de celebração das tradições e da identidade alentejana.
CNA denuncia aumento de 30% no gasóleo agrícola e exige medidas urgentes para o setor
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) manifestou preocupação com a subida contínua do preço do gasóleo agrícola, que, segundo a organização, já aumentou cerca de 30% desde o início da Guerra no Irão.
Em comunicado enviado à imprensa, a CNA alerta para o agravamento das dificuldades enfrentadas por milhares de agricultores, muitos dos quais já se encontram numa situação delicada devido às intempéries registadas nos meses de janeiro e fevereiro. A confederação sublinha que este contexto torna ainda mais urgente a implementação de medidas de apoio a um setor considerado essencial para garantir o abastecimento alimentar da população.
A organização critica ainda as medidas anunciadas na quarta-feira pelo Primeiro-Ministro na Assembleia da República, referindo que estas “não contemplaram o setor agrícola”. A CNA afirma querer acreditar que se tratou de um lapso e apela ao Governo para que reconheça o setor agroflorestal como estratégico.
Nesse sentido, a confederação defende a necessidade de respostas concretas e imediatas que permitam mitigar os impactos do aumento dos custos de produção e assegurar a sustentabilidade da atividade agrícola em Portugal.
Festival Sabores do Borrego começa no dia 27 de março – conheça o programa completo
Castro Verde volta a celebrar a tradição e a gastronomia do mundo rural com a realização da 7.ª edição do Festival Sabores do Borrego, marcada para os dias 27 a 29 de março, no Largo da Feira.
Durante três dias, o espaço central da vila transforma-se num ponto de encontro onde se cruzam gastronomia, cultura e animação, proporcionando uma experiência única para visitantes de todas as idades.
O festival tem como protagonista o borrego do Campo Branco, oferecendo uma viagem pelos sabores tradicionais da região, assim como interpretações contemporâneas que valorizam os produtos locais e reforçam a identidade cultural do concelho.
Além da gastronomia, o evento contará com música ao vivo, showcookings, atividades interativas e animação variada, garantindo momentos de lazer para toda a família.
O programa completo da iniciativa já se encontra disponível para consulta, permitindo que os visitantes planeiem a sua participação neste encontro que combina tradição, sabor e cultura.



APROSERPA alerta para crise na agricultura e exige respostas urgentes
A Associação de Produtores do Concelho de Serpa (APROSERPA) lançou um alerta sobre a grave situação que enfrenta o setor agropecuário no sul do país. Num comunicado emitido esta sexta-feira, 20 de março de 2026, a associação denuncia uma “tempestade perfeita” que ameaça o sistema de produção extensivo, apontando quatro áreas críticas que requerem intervenção imediata.
Entre os problemas destacados está “a falta de vacinas, que deixa os animais desprotegidos contra surtos, agravada pela ausência de informação clara por parte das autoridades competentes, como a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e o Ministério da Agricultura”. Esta situação “coloca em risco não só a produção, mas também a saúde e sobrevivência dos rebanhos” dizem os agricultores.
A APROSERPA critica ainda o silêncio em torno da nova Política Agrícola Comum (PAC) e os acordos comerciais com Mercosul e Austrália, que podem abrir o mercado a importações massivas de carne produzida fora dos padrões nacionais de bem-estar animal, ambientais e sanitários, criando concorrência desleal e ameaçando a soberania alimentar do país.
Outro ponto de preocupação são os custos de produção, impulsionados pelo aumento acentuado do preço do gasóleo agrícola e dos fertilizantes. A associação destaca que o consumo de um único trator em campanha pode chegar a 150 a 200 litros por dia, traduzindo-se num custo diário de 200 a 280 euros apenas em combustível, sem contar os adubos, o que pressiona financeiramente as explorações agrícolas.
Perante este cenário, a APROSERPA exige ações concretas do Governo e reitera o pedido de reunião urgente à CCDR Alentejo, sublinhando que está preparada para novas formas de protesto e mobilização caso as reivindicações continuem a ser ignoradas.
“Não podemos continuar a ser meros espectadores da nossa própria ruína. Exigimos menos política de gabinete e mais ação. Sem agricultores não há comida, e sem comida não há soberania”, afirma a direção da associação, que representa mais de 1.400 produtores só no concelho de Serpa.
A associação alerta que a situação exige respostas imediatas para proteger o setor e garantir a continuidade da produção agropecuária na região.
Falta de apoio linguístico preocupa escolas no Baixo Alentejo
Uma parte significativa dos alunos em alguns concelhos do Baixo Alentejo, como Odemira, tem origem estrangeira, uma realidade que está a levantar preocupações no setor da educação devido à falta de recursos de apoio linguístico.
De acordo com dados a que a Rádio Castrense teve acesso, existe um défice de aplicações de tradução e outras ferramentas essenciais para apoiar estas crianças, muitas delas com dificuldades na língua portuguesa, o que compromete a sua integração e aprendizagem.
A situação foi confirmada por Manuel Nobre, coordenador do Sindicato dos Professores da Zona Sul, que alerta ainda para a ausência da disciplina de Português Língua Não Materna em várias escolas da região.
Segundo o responsável sindical, este problema já foi reportado ao Ministério da Educação, mas até ao momento não houve qualquer resposta. Manuel Nobre critica a falta de medidas e sublinha a urgência de soluções que permitam garantir igualdade de oportunidades no acesso à educação para todos os alunos, independentemente da sua origem.
Enfermeiros em greve esta sexta-feira exigem valorização da carreira e melhores salários
Os enfermeiros vão estar em greve esta sexta-feira, numa paralisação de 16 horas que abrange os turnos da manhã e da tarde. O protesto foi convocado pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.
A greve surge como forma de contestação à falta de respostas do Ministério da Saúde às principais reivindicações da classe, nomeadamente a valorização das carreiras e a atualização salarial.
Entre as exigências apresentadas pelo sindicato está também a abertura de concursos para progressão nas categorias de Enfermeiro-Especialista, Enfermeiro-Gestor e cargos de direção. O SEP defende ainda a necessidade de negociar um sistema de Avaliação do Desempenho ajustado às especificidades da profissão de Enfermagem.
Em declarações, Carolina Ribeiro sublinha a importância destas medidas para garantir condições dignas aos profissionais e melhorar a qualidade dos cuidados de saúde prestados à população.



